Abstract:
Os produtos lenhosos, madeira maciça e/ou derivados de madeira, têm vindo a manter ou mesmo a aumentar a sua cota de utilização pela indústria de construção. Verifica-se, assim, a sua reacção a um conjunto de limitações que lhes são frequentemente apontadas (qualidade, durabilidade e estabilidade) e à forte concorrência de outros materiais tradicionais (betão, pedra ou aço) ou não tradicionais (compósitos não envolvendo lenho).
Em grande medida esta situação deriva da modificação ocorrida, nomeadamente na última década, na percepção por parte da indústria de construção em Portugal acerca da possibilidade de utilização de produtos lenhosos. A realização de obras emblemáticas (exemplo o pavilhão Atlântico), o desenvolvimento de um conjunto alargado de regulamentação e normalização (designadamente o Eurocódigo 5 com toda a normalização associada) e a inclusão da madeira em cursos de graduação ou pós-graduação, têm vindo a sustentar e a promover a utilização de produtos lenhosos para fins estruturais ou não estruturais por parte de arquitectos e projectistas.
A presente comunicação pretende apresentar e discutir as modificações ocorridas, ao nível da formação e do mercado, que têm vindo a ocorrer recentemente, nomeadamente na última década em Portugal. São igualmente discutidos alguns desafios que se colocam à madeira maciça e aos produtos derivados de madeira, de forma a manterem-se concorrenciais ao nível do desempenho com os restantes materiais de construção.