Abstract:
O principal objectivo da iluminação nos edifícios é o de criar um ambiente visual que permita aos
ocupantes verem, deslocarem-se em segurança e desempenharem as diferentes tarefas visuais
eficazmente e com precisão, sem causar fadiga e desconforto visuais indevidos. Adicionalmente, os
sistemas de iluminação (natural e artificial) deverão ainda ser energeticamente eficientes,
minimizando eventuais impactes energéticos negativos.
Proporcionar uma boa iluminação requer que se consagre igual atenção aos aspectos quantitativos e
aos aspectos qualitativos da iluminação. A existência de iluminâncias suficientes para a realização
das tarefas visuais (principal exigência quantitativa) constitui, naturalmente, uma condição necessária,
mas em muitas situações a visibilidade das tarefas visuais depende ainda de outros factores como
sejam: o modo como a luz é disponibilizada, as características de cor das fontes de iluminação e das
superfícies e os níveis de encandeamento presentes (aspectos qualitativos).
Numa perspectiva de conforto e eficiência energética é desejável que a iluminação dos espaços
interiores seja efectuada, preferencialmente, com recurso à luz natural devendo esta ser
suplementada por sistemas de iluminação eléctrica eficazes e flexíveis quando as necessidades de
iluminação não possam ser satisfeitas apenas à custa da luz natural. Deste modo, o aproveitamento
da iluminação natural nos edifícios, e em particular naqueles com ocupação predominantemente
diurna, pode contribuir de modo significativo para a eficiência energética, o conforto visual e o bemestar
dos seus ocupantes. Neste sentido, as estratégias de aproveitamento da luz natural deverão ter
em consideração os potenciais ganhos e perdas térmicas (eventuais sobreaquecimentos nos
períodos quentes, arrefecimentos nos períodos frios e os ganhos de calor devidos à utilização da
iluminação artificial), a diminuição dos consumos energéticos (ao substituir a iluminação artificial e ao
diminuir ou eliminar o recurso à climatização mecânica) e ainda, os benefícios mais subjectivos para
os ocupantes decorrentes da utilização da luz natural em vez da luz artificial e do usufruto da visão
para o exterior.
Com a presente comunicação pretende-se abordar alguns dos principais factores em jogo no projecto
da iluminação natural dos edifícios, tendo por enquadramento geral as exigências de conforto,
eficiência energética e sustentabilidade, bem como abordar os mais recentes desenvolvimentos
aplicáveis a climas com predominância de céus não-encobertos.