Abstract:
Em Portugal existe um grande número de pessoas a residir em vales a jusante de barragens.
Assim, é de grande interesse prático o desenvolvimento de metodologias para apoio à gestão integrada
do risco nestes vales. Segundo a bibliografia da especialidade, a gestão do risco assenta em duas
acções fundamentais: a avaliação do risco e a mitigação do mesmo. O presente trabalho seguiu esta
metodologia, aplicando-a a um eventual cenário real: “o risco de ocupar o território dos vales a jusante
de barragens”.
A dissertação divide-se em três partes. A primeira faz o enquadramento geral de todo o
trabalho; contém uma exposição das causas de roturas, acidentes e incidentes, lista as principais
roturas de barragens que deram origem a perda de vidas humanas e faz uma breve abordagem
estatística das roturas históricas. Esta primeira parte do trabalho encerra com uma panorâmica da
realidade portuguesa através da descrição e da avaliação da regulamentação nacional versando sobre
os aspectos da segurança do vale a jusante e, finalmente, através da realização de um esboço do risco
potencial a que estão sujeitos alguns dos vales a jusante de grandes barragens portuguesas.
A segunda parte do trabalho é dedicada à avaliação do risco que surge na sequência das
cheias induzidas por acidentes nas barragens. Nela, são propostos critérios para a normalização de
cenários de acidente e para o zonamento do risco nos vales a jusante das barragens. Estes critérios
implicam a concepção de outros que dizem respeito à perigosidade da cheia e à vulnerabilidade do
vale. São desenvolvidos ou melhorados, validados e implementados quatro modelos numéricos de
simulação da cheia induzida, que são instrumentos essenciais para a avaliação do risco. Um destes
modelos é sujeito a um processo de validação mais completo que envolve o uso de dados obtidos por
recurso ao modelo físico do vale do rio Arade, construído nas instalações do LNEC.
A terceira parte do trabalho versa sobre a mitigação do risco, através de um planeamento de
emergência: interno, a nível da barragem, e externo, a nível do vale a jusante. São assim definidas as
metodologias e identificados os meios e recursos necessários para garantir a concretização das cinco
fases consagradas de um plano de emergência: a detecção de uma situação anómala na barragem, a
tomada de decisão por parte dos agentes responsáveis, a notificação entre entidades que fazem parte
integrante da gestão da emergência, o aviso à população e a evacuação da mesma.