Abstract:
O estudo da composição de argamassas antigas, que implica usualmente a utilização de técnicas de
caracterização físico-química, mineralógica e microestrutural, desempenha um papel fundamental para a
preservação do património cultural, permitindo obter um conhecimento bastante profundo sobre os seus
constituintes e revelando detalhes importantes sobre as técnicas de construção, eventuais reparações e o
estado de conservação e desempenho das mesmas.
Neste trabalho foram analisadas argamassas provenientes de quatro edifícios religiosos da região do
Alentejo, nomeadamente a Sé Catedral de Évora (Séc. XIII-XVII), a Igreja de Nossa Senhora da Assunção
em Elvas (Séc. XVI), a Igreja Matriz de Mértola (Séc. XII) e o Conjunto Monumental de Amieira do Tejo
(Séc. XIV-XVI).
A metodologia de caracterização empregue recorreu a diversas técnicas, nomeadamente difracção de
raios X (DRX), análise termogravimétrica (ATG), microscopia óptica (MO), microscopia electrónica de
varrimento acoplada a espectroscopia de raios X por dispersão de energias (MEV-EDS),
espectrofotometria de absorção atómica (EAA), potenciometria, gravimetria, sorção de água por
capilaridade, resistência mecânica, porosimetria de mercúrio e a adsorção de azoto a – 196 ºC.
A aplicação da metodologia proposta permitiu determinar a composição e o estado de conservação das
diversas argamassas, tendo-se constatado que nas argamassas da Sé Catedral de Évora e da antiga Sé
de Elvas foram utilizados dois tipos de ligantes aéreos, cal calcítica e cal dolomítica, sendo o primeiro tipo o
predominante. Nos casos de estudo da Igreja Matriz de Mértola e do Conjunto Monumental de Amieira do
Tejo, as argamassas apresentam um ligante essencialmente calcítico.
Verificou-se que os agregados utilizados são correlacionáveis com a litologia local de cada caso de estudo.
As argamassas apresentam diferentes proporções de agregado, e nos casos de estudo da Sé Catedral de
Évora, antiga Sé de Elvas e Igreja Matriz de Mértola foram utilizados fragmentos cerâmicos como aditivos.