Abstract:
Este trabalho tem como principal objectivo estudar o impacte dos modelos da
Descategorização, da Identidade Endogrupal Comum (Recategorização) e da Dupla
Identidade na redução do preconceito em crianças de origem portuguesa e de origem africana
(9/11 anos).
Para a concretização deste objectivo estudámos três configurações de interacção entre
grupos étnicos em contexto escolar, na medida em que este é, por um lado, um dos cenários
de socialização mais importantes e, por outro, um meio facilitador da intervenção no domínio
da redução do preconceito inter-étnico.
Os resultados dos dois primeiros estudos empíricos, nos quais os grupos étnicos se
encontravam a interagir em simetria e em assimetria de estatuto, permitem concluir que os
modelos da Descategorização e da Recategorização foram eficazes a reduzir o enviesamento
em ambos os grupos. A redução do enviesamento intergrupal foi conseguida através da
diminuição da proximidade face aos membros do endogrupo, no caso da Descategorização, e
a partir do aumento da atracção face aos membros do exogrupo, no caso da Recategorização.
No último estudo interessou-nos averiguar, simultaneamente, o papel da saliência da
pertença étnica dos grupos na redução do enviesamento e a capacidade de extensão dos
benefícios operados pelos modelos ao exogrupo como um todo. Na situação de contacto, a
Dupla Identidade e a Descategorização revelam-se como as representações cognitivas mais
eficazes a reduzir o preconceito nas crianças de elevado estatuto, enquanto que todos os
modelos eliminam o enviesamento nas crianças de baixo estatuto. Os resultados demonstram
ainda que aqueles modelos permitem a extensão dos seus benefícios para o exogrupo como
um todo, nos contextos escolar e residencial.