Abstract:
O impacto energético e ambiental dos edifícios é cada vez mais importante nas
sociedades contemporâneas, pelo consumo de energia e de recursos durante a fase de
utilização dos edifícios, mas também pelas fases de construção e demolição. Encontra-se
comprovado que os edifícios são responsáveis por cerca de 46% do consumo de energia
primária no concelho de Lisboa, mas não se encontra apreciado o impacte da fase de
construção e demolição.
No âmbito desta tese aplicou-se a metodologia de análise do ciclo de vida a edifícios,
desde a fase de construção até à demolição, com o objectivo de avaliar os impactes
ambientais directamente relacionados com o edifício, em particular avaliar as possíveis
interacções entre a fase de construção e a fase de utilização.
Para efectuar a análise do ciclo de vida foram inicialmente definidos os aspectos de
conforto ambiental interior a satisfazer. Foram avaliados os impactes ambientais associados
ao fabrico e à utilização de alguns materiais de construção e de instalações de edifícios de
forma a possibilitar a ACV. Tendo em conta o impacte dos envidraçados nas necessidades
energéticas na fase de utilização dos edifícios, foi efectuada a avaliação de diferentes
soluções envidraçadas de forma a estabelecer áreas de vidro optimizadas que minimizem
as necessidades energéticas de aquecimento, arrefecimento e iluminação. Foi avaliada
experimentalmente a permeabilidade ao ar de edifícios Portugueses e foi avaliado o impacte
da permeabilidade nas infiltrações de ar e nas necessidades de climatização para diferentes
tipos de sistemas de ventilação, sendo apresentada uma proposta de limites a adoptar para
os edifícios Portugueses.
Por fim a metodologia de ACV do edifício foi aplicada a casos de estudo sendo
evidenciado que o impacte ambiental dos edifícios vai para além do consumo de energia na
fase de utilização, pois a fase de construção de edifícios novos e de fim-de-vida pode
corresponder a sensivelmente 30% do impacte ambiental do edifício. Se for considerado
apenas a construção, fase de fim-de-vida e a energia para climatização, o impacte ambiental
da construção é de sensivelmente 90% para o caso de Lisboa. Nos casos de estudo foi
evidenciado que existe um ponto de optimização do nível de isolamento térmico dos
elementos opacos a partir do qual as poupanças de energia associadas ao incremente da
espessura do isolante térmico não compensam a carga ambiental nele incorporada. Por
outro lado para reduzir o impacte ambiental dos edifícios é evidenciado que a concepção de
edifícios que prevejam a reutilização dos elementos de construção mais pesados tem um
peso que é cerca do dobro do associado à optimização do isolamento térmico do edifício.