Abstract:
Avaliou-se o efeito de proteção de uma intervenção de alimentação artificial efetuada na praia da Costa da Caparica contra
uma tempestade marítima extrema (Hercules, janeiro/2014) e a influência da tipologia do limite superior da praia (defesa
longitudinal aderente versus duna) nessa proteção. Utilizou-se o modelo morfodinâmico XBeach-2DH.
A praia sofre de erosão crónica e apresenta dinâmica hidro-sedimentológica complexa, não apenas devida às trocas de
sedimentos com o banco de areia da margem sul da embocadura do estuário do Tejo, mas também pela presença de um
campo de esporões e de um limite superior da praia multitipológico.
Concluiu-se que o volume de 106
m3
de areia é eficaz na redução do recuo da linha de costa causado pela tempestade em
cenário de praia sem alimentação e que reduz em 20% o volume de erosão causado pela tempestade.
Os resultados evidenciam a significativa variabilidade longitudinal da dinâmica transversal da praia durante a tempestade. A
tipologia do limite superior da praia também desempenha um papel significativo: defesas longitudinais aderentes
(frequentemente encontradas em praias cronicamente erodidas) expostas à ação direta das ondas conduzem a maiores
volumes de erosão e uma maior extensão transversal da zona ativa. Adicionalmente, características batimétricas pré tempestade, como o declive de praia e plataformas temporárias, influenciam os padrões de erosão da praia. A combinação
destes factos permitiu identificar as praias mais vulneráveis, i.e., aquelas com maior erosão induzida pela tempestade. A
análise revelou que, apesar da defesa longitudinal aderente limitar o recuo da linha de costa, as praias urbanas são mais
suscetíveis à erosão do que as praias naturais (com duna). Estes resultados atestam as vantagens/inconvenientes associados
à implementação de defesas longitudinais aderentes como estratégia de proteção costeira.
A conclusão de que as características morfológicas pré-tempestade influenciam o volume de erosão induzida pela tempestade
aponta para a necessidade de realizar investigação adicional para elucidar sobre o impacto da geometria do perfil alimentado,
especificamente o declive da face e do topo da praia, na eficácia da proteção.
Os resultados também revelaram que um volume significativo da alimentação artificial de areia permanece na face e topo da
praia após este único evento de tempestade. Testes numéricos adicionais sobre a longevidade do projeto, ou seja, sobre a
permanência da areia na praia após novas tempestades típicas de inverno marítimo, fornecerão orientação valiosa para a
gestão da praia.