Abstract:
A iluminação natural, sendo inquestionavelmente um elemento valorizador do projeto de arquitetura, é também um dos fatores fundamentais do conforto ambiental nos edifícios e um dos aspetos que mais pode contribuir para a sua eficiência energética, desde que seja adequadamente captada e distribuída para os espaços interiores. Para além disso, têm vindo a ser demonstrados vários benefícios suplementares que o uso da luz natural possui na saúde e bem-estar dos indivíduos.
As abordagens mais tradicionais de avaliação das condições de iluminação natural nos edifícios não incluem o fator humano e a subjetividade dos utilizadores como fator de análise e de referenciação. No entanto, têm vindo a surgir novas abordagens que sublinham a importância das atitudes e dos comportamentos dos ocupantes na avaliação do ambiente luminoso, devido à interação que estabelecem com o ambiente envolvente, de forma a torná-lo agradável, confortável e funcional para as tarefas a desempenhar. Assim, torna-se indispensável compreender a forma como os indivíduos percecionam o ambiente luminoso nos espaços que ocupam, que varia consoante a sua experiência e expectativas, e que dão origem a diferentes critérios de avaliação subjetivos.
Com a presente comunicação apresentam-se os principais resultados de um estudo de avaliação pós-ocupação (POE) que evidencia a clara preferência por parte dos ocupantes dos edifícios pelo elemento “natural” aplicado à iluminação que parece estar relacionada com crenças partilhadas sobre os efeitos positivos para a saúde e para a concentração em contexto laboral, de ensino e residencial. Deste modo, a avaliação subjetiva do ambiente luminoso em espaços interiores constitui uma matéria com potencial interesse para projetistas e investigadores interessados nos efeitos psicológicos da luz natural sobre os indivíduos.