Abstract:
O aprofundamento dos canais de acesso por dragagem, associado ou não à construção de
molhes e quebra-mares, tem sido uma característica da evolução dos portos nacionais nos
últimos 100 anos. Nesta comunicação, analisa-se a evolução da cota de dragagem dos acessos
marítimos aos portos do Continente com base em fontes documentais e levantamentos
hidrográficos. No início do século XX verificava-se uma diferença apreciável entre as condições
oferecidas pelos portos situados em estuários de maiores dimensões (Lisboa e Setúbal) e
artificiais (Leixões), por um lado, e os portos situados em estuários e sistemas lagunares com
menor prisma de maré, por outro. Entre 1920 e a atualidade, principalmente desde 1950, todos
os portos comerciais em atividade (excetuando Sines) registaram um aumento da profundidade
dos canais de acesso entre cerca de 5,5 m e 11,2 m. Considerando os portos no seu conjunto,
estima-se que em média, entre 1950 e 2020, se tenha verificado um aumento da profundidade
de dragagem na zona da barra de 1,0 m por década.