Abstract:
A frequência de ocorrência de eventos naturais extremos tem vindo a aumentar nos últimos anos, bem como os impactes em termos de vidas humanas e de prejuízos em ativos construídos que suportam o funcionamento da sociedade e o desenvolvimento económico e social sustentável. Perspetiva-se que a ocorrência de eventos naturais extremos, bem como os seus impactes, continuarão a aumentar devido às mudanças climáticas e ao aumento da exposição e vulnerabilidade provocada pela urbanização de crescimento intenso. Esta situação tem implicações da maior importância e relevância em termos de consideração da resiliência das estruturas no longo prazo.
Neste contexto, o Regulamento dos Produtos da Construção (RPC) prevê que os ativos construídos devam, no seu todo e nas partes constituintes, estar aptos, em qualquer momento e perante qualquer solicitação, para o uso a que se destinam devendo satisfazer, em condições normais de manutenção, sete requisitos básicos durante um período de vida útil economicamente razoável, designadamente: i) resistência mecânica e estabilidade; ii) segurança contra incêndio; iii) higiene, saúde e ambiente; iv) segurança e acessibilidade na utilização; v) proteção contra o ruído; vi) economia de energia e isolamento térmico; vii) utilização sustentável dos recursos naturais. Evidencia-se assim a grande importância de, tendo em conta a grande diversidade de ativos construídos em momentos diferentes e com diferentes níveis de exigência, diferenciar a real capacidade dos mesmos em função destas exigências.
O presente artigo visa assim apresentar uma metodologia que permite diferenciar os níveis de resposta de estruturas de betão armado em termos do primeiro requisito do RPC (resistência mecânica e estabilidade) aquando da ocorrência de eventos naturais extremos, designadamente ações climáticas e ações sísmicas.