Abstract:
A possibilidade de ajustar coeficientes parciais de segurança tem manifesto interesse no âmbito da
segurança de estruturas existentes. Os coeficientes de segurança especificados na regulamentação para
estruturas novas aplicam-se a populações relativamente vastas de estruturas, podendo não refletir
corretamente os níveis de incerteza reais numa estrutura particular existente. Se, durante a avaliação de
uma estrutura existente, estiver disponível informação relevante a respeito de uma dada variável básica
do problema de segurança, deve-se ponderar a possibilidade de ajustar o coeficiente de segurança dessa
variável concreta.
O Eurocódigo 0 refere na Cláusula C.3 que a maioria dos coeficientes propostos nos Eurocódigos foram
estabelecidos “com base na experiência da prática tradicional”, isto é, foram estabelecidos com base
numa prática anterior bem sucedida, essencialmente de forma empírica. No entanto, a mesma Cláusula
prevê que os coeficientes parciais de segurança possam ser calibrados recorrendo a ferramentas
probabilísticas.
Propõe-se na presente comunicação tratar do problema da calibração dos coeficientes parciais de
segurança recorrendo a ferramentas probabilísticas, com especial ênfase na calibração baseada nos
coeficientes de sensibilidade FORM. Conforme veremos, o coeficiente parcial de segurança de uma
dada variável depende fundamentalmente de 4 fatores: (1) modelo probabilístico usado para descrever
a incerteza nessa variável, (2) coeficiente de variação da variável, (2) importância da variável no Estado
Limite em consideração (traduzida no respetivo coeficiente de sensibilidade FORM), e (3) índice de
fiabilidade pretendido.
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