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As alterações climáticas causam impactos no ciclo hidrológico e nas disponibilidades hídricas, criando
desafios adicionais à gestão integrada e sustentada dos recursos hídricos, nas suas componentes de qualidade,
quantidade e suporte dos ecossistemas. As águas subterrâneas sofrem impactos directos das alterações climáticas (via
alterações da recarga), ou indirectos (ex.: alterações na recarga vinda dos rios), os quais se conjugam com os devidos às
evoluções demográficas, sociais, de uso e ocupação do solo e adaptação no sector da agricultura devido a alterações
dos ciclos de vida das culturas e pragas, pragas emergentes ou adopção de novas culturas, com consequente alteração
de extracções de águas subterrâneas. Os estudos de alterações climáticas normalmente abarcam um horizonte de
50 a 100 anos, o que dificulta as opções dos decisores, que costumam basear as suas políticas em projecções de
curto prazo. O projecto BINGO tenta ultrapassar esta lacuna, fornecendo informação sobre impactos das alterações
climáticas no ciclo hidrológico, incluindo os de eventos extremos, para um período de curto-médio prazo (ano 2024).
A análise dos impactos das alterações climáticas sobre as águas subterrâneas recorre a um modelo 3D (FEFLOW) dos
aquíferos Aluviões do Tejo, Tejo-Margem Direita e Tejo-Sado/Margem Esquerda, com recargas calculadas com modelo
de balanço hídrico sequencial diário a nível do solo (BALSEQ_MOD) a partir dos resultados de 10 realizações climáticas
do modelo climático regional MiKlip. Os resultados do MiKlip sugerem cenários de recarga superior e inferior à actual;
o ensemble das 10 realizações indica recarga similar à actual. As alterações da recarga sobre a piezometria do aquífero
são moderadas, com subidas de 2 a 5 m no cenário de recarga máxima, e descidas de 2 a 10 m no de recarga mínima,
e praticamente sem alteração no cenário ensemble das 10 realizações. Analisou-se também o impacto das secas
com cenários de duração destas de 3 e 5 anos, considerando as condições do ano muito seco de 2005. Em média,
os níveis descem 1 a 2 m no cenário de 3 anos e 2 a 3 m no cenário de 5 anos. Considerando que para o curto prazo,
os modelos não mostram mudanças significativas face à actualidade, conclui-se que para acautelar o futuro a longo
prazo é necessária uma mudança de paradigma dos decisores, que deverão passar a basear as suas políticas não
apenas em previsões de curto prazo, mas sobretudo nas de longo prazo, começando a estabelecer políticas agora,
que minorem as consequências das alterações climáticas em 2050 e 2100. Ou seja, agir agora para obter resultados
daqui a 3 gerações. |
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