Abstract:
As inundações de margens estuarinas são causadas pela maré, o vento, a pressão atmosférica, a agitação marítima e o caudal fluvial. Esta combinação de agentes forçadores dificulta os estudos de inundação estuarina, no que se refere quer à simulação conjunta dos diferentes processos, quer à associação de um período de retorno a uma determinada área de inundação. Recentemente, desenvolveu-se uma metodologia simples que permite simultaneamente construir mapas das áreas inundáveis e associar-lhe um período de retorno. O presente artigo começa por descrever sucintamente esta metodologia. Valida depois os resultados da sua aplicação ao estuário do Tejo por comparação com a aplicação de uma abordagem alternativa mais sofisticada, na qual são simulados detalhadamente eventos reais. Esta comparação mostra que, apesar das simplificações, a abordagem descrita produz resultados realistas. Finalmente, ilustra a metodologia através da sua aplicação ao estuário do Mondego. Mostra-se que os diques existentes são suficientes para conter inundações de origem marítima na situação atual, o que poderá ser alterado pela subida do nível médio do mar. A ilha da Murraceira também está sujeita a inundação em cenários de subida do nível médio do mar.