Abstract:
Nos últimos anos vários casos de degradação prematura de estruturas de betão têm sido
relacionados com a reação sulfática interna (RSI). Esta forma de degradação está
relacionada com a remobilização dos sulfatos incluídos na matriz de cimento, devido ao
aquecimento excessivo do betão durante as idades iniciais, que conduzem à formação de
etringite expansiva (também conhecida por delayed ettringite formation - DEF). Verifica-se
que a DEF aparece em betões expostos a humidade frequente e que foram submetidos a
um tratamento térmico (T> 65 °C) ou terão atingido temperaturas elevadas por outra razão
(elevada dosagem em cimento, peças muito espessas, betonagem durante o verão, etc.).
A prevenção da RSI é normalmente efetuada tendo em vista a eliminação de pelo menos
um dos fatores que a promovem, nomeadamente pelo controlo da temperatura máxima do
betão, dosagem e composição do ligante e humidade.
Algumas adições minerais têm a capacidade de reagir com o hidróxido de cálcio da
hidratação do cimento, formando compostos hidratados como o silicato de cálcio hidratado,
e assim controlar a alcalinidade da solução dos poros do betão, inibindo a formação dos
produtos expansivos. No entanto, não há ainda dados suficientes sobre o desempenho a
longo prazo dos diferentes tipos de adições.
Nesta comunicação apresentam-se e discutem-se os resultados de ensaios de expansão de
betão com diferentes tipos de adições minerais (cinzas volantes de carvão, metacaulino,
escórias granuladas de alto-forno, sílica fumo, lamas de minas de tungsténio, cinzas de
biomassa e fíler calcário) referentes a cerca de 8 anos de acompanhamento, e tecem-se
algumas considerações sobre os teores a considerar na prevenção da DEF.