Abstract:
O betão em massa utilizado na construção de barragens, devido aos requisitos do seu desempenho, tem, em regra, uma pequena dosagem de ligante e agregados de grandes dimensões (até cerca de 150 mm). O cimento tem vindo a ser substituído, nos últimos anos, por adições, principalmente cinzas volantes, até cerca de 50% da sua quantidade. Devido às diferenças de composição, as propriedades mecânicas do betão de barragens, designadamente a resistência e a deformabilidade, são distintas e desenvolvem-se mais lentamente que as do betão correntemente utilizado nas estruturas de edifícios e pontes.
Na primeira parte deste trabalho propõe-se uma metodologia para a caracterização probabilística das propriedades potenciais do betão de barragens a partir de resultados de ensaios laboratoriais de resistência e deformabilidade, com vista à quantificação das suas propriedades estruturais (“in situ”) e posterior utilização em análises de fiabilidade de obras integradas em novos projetos. Para este efeito consideram-se os resultados dos ensaios realizados durante a construção de 5 grandes barragens de betão portuguesas, para quantificar a variabilidade das suas propriedades potenciais, individualizando o betão fabricado em central no estaleiro da obra, o betão pronto fabricado em central industrial e o betão compactado com cilindros. Propõem-se coeficientes de variação da resistência potencial à compressão dos diferentes tipos de betão, sendo a quantificação dos valores potenciais das restantes propriedades (resistência à tração por compressão diametral, resistência à tração em flexão, resistência à tração direta e módulo de elasticidade) feita, a partir da resistência potencial à compressão, por análises de regressão. Apresentam-se ainda exemplos das distribuições de probabilidade das propriedades potenciais para cada tipo de betão.