Abstract:
A simulação estocástica tem sido utilizada, com algum grau de sucesso, para a obtenção de
acelerogramas em zonas onde não existem muitos registos instrumentais de sismos
intensos ocorridos no passado, e pode ser uma ferramenta importante nesse contexto.
Contudo, essas simulações deverão, necessariamente, ser previamente validadas através
de registos de sismos ocorridos no passado, dada a grande incerteza associada à definição
de cenários sísmicos. É muito difícil prever qualquer um dos processos, complexos, de
geração do sismo, de propagação da energia e dos efeitos locais, nomeadamente as
características da rotura, designadamente o padrão de deslizamentos e a queda de tensão
média no plano da falha, a atenuação das ondas sísmicas ao longo do percurso de
propagação e a obtenção da amplificação local das camadas de solo superficial.
Neste trabalho, são apresentados os resultados de diversas simulações estocásticas do
sismo ocorrido nos Açores em 1998, considerando diferentes localizações da rotura,
juntamente com os respetivos parâmetros, variação das características da atenuação e
diferentes condições geológicas locais. Os acelerogramas simulados, e correspondentes
espectros de resposta, foram comparados com os registos instrumentais do sismo, e com os
resultados de leis de atenuação obtidas para a Europa e, em particular, para o arquipélago
dos Açores.