Abstract:
Discute-se, em linhas gerais, o proveito
da análise das práticas quotidianas para melhor
compreender as dinâmicas socio-espaciais
de invenção continuada do património numa
cidade em acelerado processo de transformação.
Este objetivo de cunho mais abrangente é aqui introduzido a partir de comentários específicos e relacionados com o Bairro da Mouraria, em Lisboa. Isto porque, ao considerar este bairro como caso de discussão, chama-me particular atenção uma certa centração naquilo que o bairro foi (ou teria sido) – o passado – e naquilo que se pretende como horizonte futuro para,o bairro – o projeto. Essa espécie de lógica de ocultação do quotidiano – algures perdido entre um passado idealizado (mas que pode também ser rejeitado) e um sedutor horizonte futuro que, em grande medida, se delineia por contraposição ao que é indesejável (e relacionado com um tempo-espaço passado, mesmo que próximo) – conduz-me a pensar sobre o interesse em investir num conhecimento que contribua para melhor compreender-se os sentidos e significados quotidianos do viver o bairro, a cidade, como se de uma reivindicação ao direito à visibilidade do quotidiano também tratar-se.