Abstract:
O aumento das áreas edificadas e zonas impermeabilizadas dos núcleos urbanos tem ampliado
o risco de inundações durante eventos pluviosos, decorrente da menor capacidade de
infiltração e transporte da água no subsolo, bem como a frequência da ocorrência de descargas
de excedentes contaminados para os meios recetores. Adicionalmente, o aumento da atividade
humana tem provocado a poluição da superfície de bacias de drenagem e o arrastamento
desses poluentes pelas escorrências pluviais para o meio receptor (Matos e Ferreira, 2006).
Para mitigar estes problemas é frequente recorrer-se a medidas como o aumento da
capacidade de armazenamento e de encaixe de água através da construção de reservatórios ou
bacias de detenção (soluções estruturais); a implementação de soluções de controlo na origem
(soluções “verdes” de promoção da infiltração e recarga do solo como pavimentos porosos); a
implementação de controlo em tempo real das infraestruturas com o objetivo maximizar a
utilização da capacidade existente no sistema (nomeadamente em redes e reservatórios),
minimizando inundações em meio urbano e descargas não tratadas no meio receptor.
Nesta perspetiva, a gestão eficaz e eficiente do sistema de drenagem através de um controlo
em tempo real ou quasi-real deve assentar numa rede de monitorização adequada que permita
ao recetor da informação tomar uma decisão e intervir atempadamente. A utilização de
modelos de simulação constitui também uma ferramenta particularmente útil neste domínio,
bem como para a reabilitação dos sistemas existentes, testando soluções para resolver os
problemas detetados.
A modelação computacional de sistemas de drenagem de águas residuais, como instrumento
de planeamento, projecto, análise e operação de sistemas, teve início sensivelmente na década
de 1970. Durante a década de 90 foi dada especial atenção à integração, nos modelos
hidrodinâmicos e de qualidade, de potencialidades de gestão e controlo em tempo real (CTR),
a par de uma aposta continuada na melhoria das capacidades, flexibilidade, facilidade de
utilização e de interpretação de resultados, com recurso às crescentes capacidades de
visualização gráfica (Cardoso, 2007).A monitorização dos sistemas de drenagem urbana é uma componente importante para as
actividades de operação, uma vez que é a única forma de se obter a informação fundamental
para o conhecimento do funcionamento dos sistemas, utilizada para a análise, o diagnóstico e
a avaliação do seu desempenho. Permite, também, apoiar as actividades de manutenção e
modelação matemática dos sistemas, podendo, ainda, ser utilizada para o controlo em tempo
real dos sistemas (“Real Time Control” ou RTC em terminologia anglo-saxónica).No âmbito do presente documento são descritos e caracterizados os principais modelos
existentes destinados à simulação do comportamento de sistemas de drenagem, referindo-se
as respectivas bases de formulação e princípios gerais, descrevendo-se sumariamente alguns
dos modelos existentes. É ainda efetuada uma introdução à gestão em tempo real dos sistemas
de drenagem, incluindo os princípios do controlo em tempo real, referências à monitorização
e exemplos de aplicação destes conceitos em sistemas de drenagem europeus.