Abstract:
As condições climáticas, nomeadamente o regime de precipitação e as temperaturas médias
do ar, condicionam a quantidade e a qualidade das águas de escorrência de estradas. Em
Portugal constatam-se tendências distintas em diferentes regiões de precipitação: para um
mesmo tipo de pavimento, autoestradas localizadas em regiões mais áridas, serão mais
susceptíveis de provocar impactes agudos no meio hídrico. Embora hoje se conheçam os
poluentes prioritários, é natural que esta realidade se altere pelas influências múltiplas que
as alterações climáticas irão exercer sobre os processos de geração e transporte dos
poluentes.
Este artigo foca-se numa importante origem de poluentes, o pavimento rodoviário e analisa
como os vários tipos de pavimentos, sob a ação de alterações climáticas poderão ter um
comportamento que altere as escorrências rodoviárias. Naturalmente, o comportamento do
pavimento depende do tipo de material utilizado e da integridade da própria estrutura,
incluído o seu sistema de drenagem.
Demonstra-se que a maioria dos potenciais impactes resultantes quer do aumento de
temperatura, quer do aumento dos fenómenos extremos de precipitação, potencia um
incremento na geração de poluentes (e.g.: partículas de ligante e agregados).
Para minimização dos impactes dos poluentes rodoviários no meio hídrico é importante que
se fomente uma investigação científica multidisciplinar em cenários de alterações climáticas.