Abstract:
As técnicas mais frequentemente utilizadas para a conservação e reabilitação de pavimentos flexíveis, que representam mais de 90% da extensão da rede rodoviária nacional, compreendem a remoção de camadas betuminosas degradadas e sua substituição por novos materiais. O reaproveitamento destes materiais, designados por “Misturas betuminosas recuperadas” (MBR ou “RA Reclaimed Asphalt” na terminologia anglo-saxónica), através de reciclagem, assume atualmente um papel muito importante na construção rodoviária, proporcionando uma efetiva redução da produção de resíduos e do consumo de matérias primas.
A reciclagem de misturas betuminosas compreende, genericamente, a adição de novos ligantes betuminosos (eventualmente conjugados com outros) e de novos agregados, à mistura betuminosa recuperada, tendo em vista o fabrico de uma nova mistura betuminosa - a mistura betuminosa “reciclada” -.
Existem várias opções para a reciclagem de misturas betuminosas, que se podem distinguir, por exemplo, quanto ao local onde é feita a reutilização do material recuperado (“in situ” ou em central), quanto ao tipo de ligante ou quanto à temperatura de fabrico.
Neste artigo abordam-se duas das técnicas de reciclagem de misturas betuminosas com maior relevância no contexto português: a reciclagem a quente em central e a reciclagem a frio “in situ”, com ligantes betuminosos (betume ou emulsão betuminosa). Apresentam-se resultados de estudos de investigação recentemente realizados e refere-se a experiência obtida através do acompanhamento de obras onde foram aplicadas estas técnicas.