Abstract:
A reciprocidade e aceitação mútua entre grupos sociais em copresença
são indispensáveis à integração social e à coesão social mais
alargada. A identidade social (Tafjel, 1972) constitui um conceito
incontornável no entendimento das relações intergrupais, dado que
reflecte trajectórias individuais e sociais e fornece sinais sobre
situações de (des)ajustamento social. Através de uma entrevista
estruturada, o presente estudo procura compreender os processos
identitários de imigrantes africanos e de ciganos e discute o papel
destes processos na promoção da integração social. A partir da
identificação de valorização de aspectos do grupo étnico/etno-nacional
e do grupo maioritário em vários domínios construiu-se uma tipologia
de identidade étnica (Hutnik, 1991). Os principais resultados indicam a
existência de uma dicotomia entre aculturação (adesão simultânea a
valores, normas e regras de ambos os grupos) e dissociação
(expressão de forte identificação em relação ao próprio grupo e
afastamento relativamente ao grupo maioritário). A baixa prevalência
de indivíduos em processos de marginalização, ou seja, que veiculam
representações negativas sobre ambos os grupos, é um bom indício de
integração destas populações. No entanto, o peso razoável de pessoas
em dissociação representa um risco social marcante dado que traduz
um fechamento no próprio grupo e um afastamento da sociedade de
acolhimento. Estes resultados salientam a promoção da proximidade
social entre maioria-minoria, o que ajudaria os grupos a encararem a
sua cultura de uma forma mais flexível, mais negociada e, sobretudo,
mais ajustada aos valores actuais, reduzindo, desta forma, conflitos e
tensões entre grupos étnicos e etno-nacionais e com a maioria.