Abstract:
Apresenta-se uma metodologia para a definição de medidas de recuperação das massas de água ao estado qualitativo e quantitativo bom, que aborda holisticamente os meios hídricos superficial e subterrâneo, permitindo lidar com situações em que ocorre transferência de poluição entre estes dois meios. A metodologia considera as condicionantes geológicas e hidrogeológicas, traduzidas em modelos matemáticos que lhe servem de suporte, para avaliar das reduções de cargas poluentes e/ou consumos em face de: fontes de poluição actuais e cargas poluentes associadas, áreas de entrada das cargas poluentes nas diferentes massas de água, tempos de percurso, estado actual das massas de água, contribuição de cada fonte poluente para a carga total e estado actual das diferentes áreas das massas de água, consumos associados a cada unidade agrícola, pecuária, doméstica e outras, evolução das taxas de exploração e cargas poluentes em cenários de mudança (sócio-económicos, alterações climáticas) e a consequente evolução do estado das massas de água. As reduções de consumos e cargas poluentes a efectuar são assim definidas para as condições actuais e futuras, constituindo valores-guia para as medidas de recuperação, servindo também de base à escolha destas. A aplicação da metodologia ao caso de estudo de Melides permitiu verificar que a poluição da lagoa se deve: prioritariamente à agricultura, não apenas pelas descargas superficiais dos arrozais mas também por uma até agora insuspeita e significativa contribuição subterrânea (> 50% da carga poluente); as fossas na envolvente da lagoa são o segundo maior problema; uma parcela significativa da poluição tem tempos de percurso suficientemente longos para surgir na lagoa após 2027; num futuro próximo a carga poluente aumentará um pouco devido a estas cargas, tornando-se mais dominada pela componente fossas. Deste modo as medidas de recuperação devem definir-se para os arrozais mas também para a componente subterrânea (poluição agrícola e doméstica).