Abstract:
É do conhecimento geral que a qualidade do ar interior influencia a qualidade de vida
dos ocupantes dos edifícios e que pode ter implicações significativas no seu estado de saúde. As
crianças constituem um grupo de risco que pode apresentar vulnerabilidades quando exposto a
um ambiente interior de menor qualidade. Neste âmbito, correntemente constata-se que parece
haver uma tendência para as crianças adoecerem com maior frequência quando iniciam a sua
exposição ao ambiente de creches e infantários, ocorrendo em especial um aumento das
doenças do foro respiratório. O projeto ENVIRH, reunindo uma equipa multidisciplinar, tem por
objetivo principal estabelecer associações entre as condições de ventilação desses locais, a
qualidade do ar interior (QAI) e a prevalência de doenças do foro respiratório.
O projeto desenvolve-se essencialmente através de duas fases. De entre um total de 48 creches
e infantários (Instituições Privadas de Solidariedade Social - IPSS) em Lisboa e 40 no Porto,
foram selecionadas aleatoriamente 45 IPSS (sendo 25 em Lisboa e 20 no Porto), tendo sido
analisadas na fase preliminar as suas condições construtivas, realizadas medições pontuais e
instantâneas do teor de CO2 em salas de atividades, realizado um inquérito aos hábitos dos
ocupantes relacionados com a ventilação e realizado um questionário médico para identificação
de sibilância baseado no questionário ISAAC (International Study on Allergy and Asthma in
Childhood). Com base na análise dos resultados preliminares, através do desenvolvimento de
uma análise de “clusters”, foi selecionado um conjunto mais restrito de 20 IPSS, as quais
integraram a segunda fase do estudo, onde foram realizadas medições das taxas de ventilação
(método PFT), da QAI (CO2, CO, formaldeído, COVTs, PM10, bactérias, fungos e ácaros), do
conforto térmico e feito um acompanhamento das condições de saúde das crianças (questionário
médico, recolha de condensado brônquico do ar exalado, identificação de vírus respiratórios).
A análise estatística dos resultados da primeira fase evidencia uma clara associação do
incremento do teor de CO2 com as práticas de manter as janelas exteriores e as portas interiores
fechadas (que reduzem as taxas de ventilação) e, por outro lado, uma associação do incremento
do teor de CO2 com a sibilância (sintoma de doença respiratória). Esta comunicação detalha a
metodologia seguida no estudo e apresenta os resultados da primeira fase.