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Grandes áreas envidraçadas na envolvente dos edifícios proporcionam, geralmente,
efeitos estéticos de elevada leveza e transparência e níveis consideráveis de iluminação natural.
No entanto, podem dar origem a elevados consumos energéticos e a problemas de desconforto
térmico e visual. De entre as estratégias de construção sustentável com vista à redução dos
consumos de energia nos edifícios, destaca-se a adopção de dispositivos de sombreamento.
O conhecimento detalhado das propriedades ópticas (de transmitância, reflectância e absortância)
dos sistemas complexos de envidraçados, sobretudo com dispositivos de sombreamento, tornase
assim particularmente importante em qualquer estratégia de optimização do desempenho de
sistemas de envidraçados, dado que influenciam grandemente o consumo de energia e o
conforto interior dos espaços confinantes.
O presente artigo descreve um modelo numérico de determinação das propriedades ópticas de
sistemas envidraçados com ou sem dispositivos de sombreamento. O modelo baseia-se no
método do fluxo líquido radiativo (net radiative method) e permite determinar as componentes de
iluminância e irradiância transmitidas, reflectidas e absorvidas em qualquer composição de vidros
e dispositivos de sombreamento, do tipo estore de lona ou estore veneziano. A determinação das
propriedades ópticas de sistemas envidraçados com dispositivos de sombreamento é bastante
mais complexa do que nos casos em que este sistema não está presente, uma vez que as
propriedades destes dispositivos não são normalmente especulares como as dos vidros,
introduzindo novas componentes de transmitância e reflectância que o modelo de cálculo deve
contemplar. A variedade de tipologias e comportamentos dos dispositivos de sombreamento é
também um factor de complexidade adicional do modelo. Enquanto um estore de lona é um
elemento que, pela uniformidade da sua geometria e comportamento à radiação, é relativamente
simples de modelar, um estore veneziano, pelo contrário, é um elemento com uma geometria
complexa e com propriedades variáveis com o ângulo das lamelas e o ângulo de incidência do
sol. Deste modo, torna-se necessário um cálculo prévio das propriedades ópticas globais dos
estores venezianos. Alguns resultados numéricos, nomeadamente de transmitância visível e
solar, foram comparados com resultados obtidos experimentalmente numa célula de teste com
um sistema envidraçado com estore veneziano. A concordância entre resultados numéricos e
experimentais revelou-se bastante satisfatória. |
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