Abstract:
Desde o advento da imprensa e a consequente difusão da informação escrita,
a visão tem vindo a assumir um papel predominante na transmissão do
conhecimento. Com a implementação do código Braille no século XIX e com o
desenvolvimento mais recentemente dos aplicativos informáticos de leitura
de tela, o acesso à informação escrita passou a estar também assegurado
para os invisuais. Porém, o reconhecimento do espaço arquitetónico para
esta parcela da sociedade ainda se encontra por difundir.
O estudo teve como objetivo analisar como se pode expor para um invisual a
beleza de uma paisagem, de um núcleo histórico ou de um edifício
classificado. Para o efeito foram analisados e comparados os recursos
utilizados em três casos de estudo situados em Lisboa: Museu Nacional do
Azulejo, Torre de Belém e Mosteiro dos Jerónimos.
Verificou-se que o Museu Nacional do Azulejo disponibiliza áudio-guias e
tem vários painéis com relevos para permitir aos visitantes apreciar
algumas das peças pelo tato. A Torre de Belém está representada num modelo
para exploração tátil que se encontra acessível no exterior deste
edifício, complementado por um texto em Braille. O Mosteiro dos Jerónimos
disponibiliza aos visitantes invisuais uma visita de exploração tátil
guiada, com apoio de desenhos em relevo.
Da análise destes três casos de estudo conclui-se que: os recursos devem
poder ser utilizados por um leque alargado de visitantes; em algumas
situações a utilização de réplicas pode ser necessária ou vantajosa à
interação com o original; os recursos disponíveis para invisuais devem ser
facilmente descritos na página da Internet dos edifícios e anunciados em
primeiro plano na receção da exposição; os recursos devem estar
disponíveis pelo mesmo período que as visitas normais; e, a conceção da
exposição implica um trabalho de pesquisa e deve envolver invisuais.