Abstract:
No interior de um porto, a agitação marítima pode originar movimentos verticais de
grande amplitude nos navios ao longo da sua trajectória de entrada no porto, levando ao
encalhe ou mesmo ao naufrágio desses navios, dependendo do material do fundo do porto e
da sua capacidade para danificar o casco do navio.
Com base na modelação numérica da interacção de corpos flutuantes com ondas e
assumindo como linear esta interacção, é possível, partindo da função resposta em frequência
do navio, definida como a amplitude do movimento vertical estacionário de um ponto
seleccionado no navio sujeito a ondas monocromáticas, determinar o espectro da resposta do
navio a partir do espectro da agitação incidente no navio. A mesma assumpção de linearidade
permite levar em conta a velocidade não nula do avanço do navio modificando a frequência de
encontro de cada uma das componentes do espectro.
Nesta comunicação, apresentam-se os resultados obtidos com a modelação numérica da
interacção da agitação incidente na entrada do porto da Praia da Vitória, na ilha Terceira,
Açores, com o “N/M Fernão Gomes”, um navio com comprimento de 114 m, uma boca de 19 m
e um calado de 7 m, e avalia-se a possibilidade desse estado de agitação induzir movimentos
verticais excessivos do navio ao longo da sua trajectória, bem como a inoperacionalidade da
faixa de navegação associada a movimentos verticais cuja altura seja ultrapassa por um limiar
pré-definido.
O modelo numérico WAMIT, Newman & Sclavounos (1988), foi utilizado para determinar
a função resposta em frequência do navio “N/M FernãoGomes” tendo-se analisado a influência
nos resultados obtidos, não só da profundidade da zona onde o navio se desloca mas também
da velocidade de avanço do mesmo.