Abstract:
O presente relatório é dedicado à discussão sobre as imprecisões históricas e conceptuais
de que se revestem algumas das analogias e comparações recorrentemente estabelecidas
entre condomínios habitacionais fechados (sua definição e origem) e outras formas e
realidades - o gueto, e áreas de génese ilegal, castigadas pela pobreza e exclusão social,
como as favelas, os bairros de barracas e shunty towns. Metaforicamente poderosas,
defende-se que elas prejudicam a análise sobre o que está em jogo em cada umas das
realidades que, mais ou menos retoricamente, se tende a aproximar.
Defende-se que a reflexão em torno do fenómeno do surgimento e expansão dos
condomínios habitacionais fechados (CHF) reveste-se de um particular potencial
estratégico no alavancar de uma discussão sobre a cidade que pensamos ter e a cidade
desejada, sobre a importância (também) simbólica das características da vizinhança
próxima e sobre os mecanismos e conteúdos que legitimam a conceção de modelos
ideais de habitat e modos de organização vocacionados para o governo do/sobre o
espaço.
Elaborado no âmbito de um estágio de informação experimentado no Núcleo de Ecologia
Social do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, o presente relatório recupera um
trabalho associado à frequência do curso de Doutoramento em Arquitetura - Dinâmicas
e Formas Urbanas da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.