Abstract:
As embocaduras de pequenas lagunas são frequentemente instáveis. Por razões ecológicas, estas embocaduras são muitas vezes abertas artificialmente, e deixadas evoluir até fecharem naturalmente. Este artigo apresenta a simulação da evolução natural da embocadura da Lagoa de Santo André após a sua abertura, através da aplicação de um modelo numérico morfodinâmico suportado por extensas campanhas de recolha de dados de campo. O comportamento da embocadura nos primeiros dias após a abertura é correctamente reproduzido, apesar de ter sido necessário introduzir no modelo processos físicos anteriormente negligenciados: as perdas de carga associadas aos ressaltos hidráulicos e o escorregamento de taludes laterais. Pelo contrário, o modelo subestima a colmatação da embocadura, não conseguindo, por isso, reproduzir correctamente o seu fecho. Causas possíveis para esta limitação incluem, entre outras, a não reprodução pelo modelo do transporte na zona de espraio.