Abstract:
Os fogos florestais aumentam o risco da degradação física, química e biológica dos solos e a poluição dos
recursos hídricos de jusante.
Os fogos têm como consequência directa a redução, ou mesmo o desaparecimento, da biomassa florestal cujos
efeitos se fazem sentir na diminuição da capacidade de retenção de água pelos solos e da infiltração, expondoos
à erosão e provocando o arrastamento de matéria fina, nomeadamente das próprias cinzas do fogo, para as
linhas de água mais próximas e/ou a sua infiltração no solo.
Além dos processos físicos de erosão, os fogos florestais induzem também importantes alterações na qualidade
dos solos e das águas, através da produção das cinzas, sendo um dos principais processos associados o efeito
da queima no ciclo dos nutrientes. A quantidade de cinzas depositadas depende do peso e da distribuição
espacial da vegetação queimada, do seu grau de combustão e do subsequente transporte de resíduos. A
produção de cinzas e as alterações verificadas nos solos após um incêndio são reflectidas na qualidade das
massas de água de jusante, superficiais e subterrâneas, após eventos de precipitação.
Apresenta-se uma síntese de alguns dos resultados do projecto POCTI/AGR/59180/2004 – “Avaliação do
impacte dos fogos florestais nos recursos hídricos subterrâneos" coordenado pelo LNEC, com a participação da
Escola Superior Agrária – Instituto Politécnico de Castelo Branco, do Instituto Nacional de Engenharia,
Tecnologia e Inovação, relativos à componente da qualidade da água registada em estações de monitorização
localizadas em afluentes das bacias ardidas e não ardidas (Laranjeira e Leitão, 2008; Lobo Ferreira et al., 2009;
Leitão, 2010).