Abstract:
De entre os vários tipos de estruturas de protecção costeira, o quebra-mar vertical
é mais utilizado em Portugal em costas com fundos com grande declive, como é o caso da
costa da Madeira. Este tipo de estrutura é formado por uma parede vertical, impermeável,
onde a onda é reflectida para o largo. Quando comparados com os quebra-mares de talude
tradicionais, os quebra-mares verticais permitem uma economia substancial de material com
importantes consequências económicas e ambientais. No entanto, sofrem ruína abrupta e não
contribuem para o amortecimento da agitação residual dentro da bacia abrigada, sendo o
seu paramento interior muito reflector. O quebra-mar misto é, até determinada altura de
onda, análogo ao quebra-mar vertical e para alturas superiores, ao provocar a rebentação,
funciona em parte como quebra-mar de talude e em parte como quebra-mar vertical,
agregando as vantagens (e alguns dos inconvenientes) dos dois tipos de estrutura.
A interacção entre uma onda regular e um quebra-mar misto é estudado neste artigo usando
um modelo numérico SPH – Smoothed Particle Hydrodynamics, especialmente adequado
para modelar deformações complexas da superfície livre. Os modelos SPH são baseados num
método Lagrangiano onde o fluido é representado através de volumes fluidos, que
correspondem conceptualmente a partículas que têm uma massa, uma densidade, uma
pressão e uma velocidade definidas e permite modelar os escoamentos com superfície livre
sem impor condições de fronteira particulares nem realizar nenhum tratamento especial.
Após a validação do modelo numérico com resultados obtidos em modelo físico, são
modeladas várias alturas de onda e é analisado o tipo de rebentação na proximidade da
estrutura, bem como a força exercida sobre a parede vertical do quebra-mar